CRÍTICA ESPECIALIZADA / Reviews / Links

“A escultura de Elim Dutra é plenamente moderna e contemporânea. Moderna no que tem de objectual; contemporânea por sua elaboração minimalista. A revolução artística, que culminou no Abstracionismo, consistiu em dar à natureza – à matéria em si – mais atenção do que às projeções psicológicas do artista que, em épocas passadas, se esforçava por absorver o mundo exterior no seu próprio mundo. (…) Elim segue, literalmente, os veios da madeira. Nada lhe escapa. É um corpo-a-corpo limpo, glorioso. A madeira não é despoticamente submetida; é convidada a revelar-se. Com sutileza, a mão de Elim persegue a coreografia subjacente ao que foi outrora raiz, tronco, ramagens, flores. A genealogia da terra, inscrita no suporte, emerge. Por quê? Não para permitir ao homem que atravanque com suas idéias, dogmas, sentimentos… Não! O artista, lúcido e humilde, não quer transformar o lenho numa estátua ou numa imagem; quer induzi-lo a ser mais lenho, a expor-se, a entremostrar a sua intimidade. Por isso, a escultura de Elim é uma escultura ecológica. A madeira é respeitada, quase reverenciada. O artista, simplesmente, dá-lhe a mão, não para a mutilar ou racionalizar, constrangendo-a a assumir formas alheias a si, como seriam um rosto, ou um ângulo reto (que não existe na natureza), mas para transformar num poema, nascido de sua própria necessidade. É admirável contemplar a volumetria sinfônica de tais peças! Cada uma delas se liga às demais por uma espécie de parentesco intrínseco, e o homem, ao vê-las, e também tocá-las, sente que algo de si surge na indiferença da pele polida, paradoxalmente cálida. É este o segredo das madeiras amorosamente esculpidas por Elim. Uma lição de solidariedade e respeito, de amor jubiloso e sentido cósmico”.

Armindo Trevisan

“Aqui a Escultura não toma empréstimos à Pintura. Lança-se com identidade própria na exploração do espaço como corpo unitário. Cada peça resume um traçado singularizado, que começa e acaba nele mesmo. Com isso Ehm Dutra constrói objetos independentes, aptos para a revelação total ao impacto da luz. Recurvos pela ausência de linhas retas, esses objetos não se projetam no espaço, mas o ocupam como corpos acabados, dotados de força e equilíbrio próprios…”.

Ijalmar Nogueira, Jornal de Brasilia, 1982

“……Convém insistir noutro aspecto: o cuidado com que o escultor extrai, da epiderme delicada de suas madeiras, sugestivos efeitos fotocromáticos. Elim as acaricia, de sorte que o olho do espectador também acaba colhendo análoga satisfação erótica à flor dos veios”
Armindo Trevisan, do livro: “Escultores Contemporâneos do Rio Grande do Sul’, 1983
“…A arte escultórica de Elim Dutra é sóbria, sobretudo em sua primeira fase; é uma escultura limpa que convoca todos os sentidos e convida à carícia. Suas obras são cuidadosas, de formas arredondadas, aéreas, que parecem flutuar no espaço de modo plástico. E preciso flutuar ou girar ao redor destas obras quase abstratas que se aproximam, para afastar-se depois até formas reconhecíveis. As vezes se insinua um colo delicado e carnoso e ao contornar abruptamente para surpreender o rosto, descobrimos linhas apenas esboçadas ou remotas sugestões de algo que ainda não chegamos a definir plenamente. Se a arte é o inesperado, a surpresa, a transgressão, harmoniosa idéia do estabelecido, a ruptura com o cotidiano, a frustração do previsível, a fuga até âmbitos irreconhecíveis, a sugestão, o giro malicioso ou a ambigüidade carregada dos sentidos, Elim conseguiu em suas obras alusivas a exata dimensão artística…”.

Carlos Alberto Martinez, “Un escultor brasilero El Siglo, Bogotá, 25/ 9/88

As esculturas de Elim Dutra apresentam um feliz equilíbrio entre o material e o significado das formas. As formas fundamentais falam permanentemente a linguagem do escultor e com ele transcendem o desejo e o prazer do entalhe. Convertem o ofício de escultor numa permanente e fascinante oração. O material é a doutrina e a verdade da obra…”.

Maria Teresa Guerrero R., Bogotá, 1988

“……..As esculturas abstratas de Elim Dutra lembram um pouco Brancusi, Moore e Arp. Parecem ser paradigmas para um modo de expressão formal e universal. A origem dos materiais utilizados, autenticidade regional ou até mesmo nacional das obras, escondendo a grande subjetividade do estilo de uma pessoa que se entende como “globetrother”. O tema de Dutra é a forma fechada e aberta, o jogo entre volume e vazio. As obras, apesar do seu formato “bern comportado”, parecem monumentais e ao mesmo tempo flutuantes. Objetos que permitem um lance de olhos e que depois levam o olhar novamente para a silhueta exterior, por longo tempo, até que se compreenda o jogo equilibrado das formas convexas e côncavas em seu todo. O estímulo da ótica e do tato dependem do trabalho perfeito da superfície, o que torna o jogo vivo dos veios da madeira em um importante elemento expressivo. A sensualidade das esculturas orgânicas por sua elegância formal, expressam equilíbrio na obra de Elim Dutra.”.

Isabel Rith-Magni, Bonn, Setembro, 1994

“Quando entrei pela primeira vez na galeria com obras de Elim Dutra não imaginava o contraste entre a fachada colonial do prédio e o que encontraria em seu interior. Tive a impressão que interrompia uma reunião de sábios, tal a postura esbelta e imponente das esculturas enfileiradas em ambos os lados da sala.
O teto alto e o enorme vazio da sala, elemento permanente de acolhedor envolvimento, entrelaça de uma só vez cada uma e todas as figuras que lá estão, inclusive a do visitante.
Fiquei em silêncio, caminhei devagar e, frente a frente, olhei para cada uma delas, não só para admirá-las como um curioso qualquer mas, principalmente, para conhecê-las.
Procurei até mesmo tentar ouvir o que diziam. Fui levado a creditar que falavam não uma linguagem de palavras, com encadeamentos convencionais, mas, logo notei que a frágil estrutura dos meus ouvidos se fazia inútil. Entretanto, algo me era dado a perceber, até mesmo com certa facilidade. Só que agora, longe de Pirenópolis e perplexo, não tenho condições de lembrar ou repetir o que me teria sido dito. É pena.
Curioso, interessado que sempre fui por minúcias, percebi que na maneira de ser de cada uma delas, nas suas monumentalidades, havia equilibrada compensação dos elementos de que são formadas. Um, o corpo mais visível, a madeira, na intimidade dos seus veios em curvas infinitas que se emendam e se seguem nelas mesmas, como uma fita-sem-fim. Por ali escorregaram meus olhos e meus pensamentos. O outro, o espaço cheio de um vazio intrigante porque parceiro daquilo que era mais evidente, o corpo lenhoso.
Vi nos espaços que vazam de lado a lado e onde não está a madeira o contraponto às formas materializadas. Aqueles valem tanto quanto estas, pois, ao fugir do esperado, delas fazem parte e lá permanecem para serem vistos.
A medida em que me entregava a esta contemplação involuntária, fui levado a fazer um paralelo e a acreditar que os espaços vazios das esculturas ali expostas são como silêncios propositadamente presentes em minhas músicas, silêncios que fazem parte das estruturas criadas e que nelas estão para serem ouvidos. Nos espaços vazios daquelas esculturas nada está faltando como nada falta nos silêncios dos encadeamentos das notas que escrevo. Neles estão os elementos condutores e aglutinantes que ajudam a perceber as formas e que levam ao apreciador de um lado para outro, de fora para dentro e vice-versa, fazem-no girar em torno do objeto apreciado, seja ele material ou imaterial, como numa viagem sem parâmetros, onde os silêncios e os espaços se confundem e o viajante é levado para fora das perspectivas limitantes a que está acostumado”.

L.C. Vinholes

“Zamalek Art Gallery is glad to announce the start of the new season with an exhibition for artist and sculptor Elim Dutra displaying his works in Brazilian wood and Egyptian granite. The Exhibition will continue until November 20th, 2007. Elim Dutra has exhibited extensively in Europe as well as in the US and South America. Dutra’s sculpture is abstract with organic characteristics. One granite work, The Boss”, as he named it, weighs around 10 tons, measuring 2.6 metres [8-1/2 ft] in height and one metre in width. When he is not sculpting, Elim Dutra is also the Brazilian Ambassador to Egypt.
Working as a sculptor since 1981, Elim Dutra has exhibited in Brazil, in other countries in South America, as well as in large European and North American capitals. His work may now be found at places like Bogota Museum of Contemporary Art, the Modern Art Museum of Rio Grande do Sul, the Dansmuseet in Stockholm, BMW Gallery, in Bonn (Germany), and Touchstone Gallery, in Washington. One of his most famous sculptures is in Washington, in the garden of the Brazil-United States Cultural Centre”.

Absolute Arts

“Brazilian ambassador makes sculpture in Egypt

How do you like to a talented sculptor as Ambassador to represent your country. Brazil has one, called Elim Dutra. And this Brazillian Ambassador currently assigned to Egypt is not just any sculptor. “Since 1981 he has already exhibited in Brazil, in other countries in South America, as well as in large European and North American capitals.”
He has just taken part in an international sculpture symposium in Egypt, carving a 8-1/2 ft tall granite sculpture there. See below.
Cairo – The Brazilian ambassador in Cairo, Elim Dutra, spent 45 days, during January and February, participating in the 11th edition of the Aswan International Sculpture Symposium, in Egypt. [snip]
Every year the symposium brings together sculptors of international renown to Aswan, in the south of Egypt, known for its natural beauty and for the mild climate. [snip]
Dutra’s sculpture is an abstract work of art with organic characteristics, and weighs around 10 tonnes, measuring 2.6 metres [8-1/2 ft] in height and one metre in width. “The Boss”, as he named it, is a work of art belonging to a series of others, also made by the diplomat and that are exhibited in museums and private collections. “As it is very large, closed and serious, I immediately saw that it belonged to my ‘Boss’ series and that it gives people the impression of having something inside it, a soul,” explained the artist.
Using his own technique, Dutra worked between 10 and 12 hours a day throughout the symposium. “When I arrived they offered me a huge square stone, that had already been here for years and that no sculptor had dared touch as they thought it was too big. I accepted the challenge and started my work to be able to complete the gigantic sculpture”, stated the diplomat. According to him, Egyptian granite is hard as steel and work with this kind of material was almost like “education through stone”.
“I worked with great patience and enchantment until I reached the final state of this work that will stay here forever,” stated the ambassador. Dutra was enchanted to be allowed to work in such an inspiring place. “Leaving my work of art in an open-air museum, together with a large number of works by artists from all around the world is the best proof of my affection for Egypt,” stated the diplomat. “I hope that it will stay here for the next 5,000 years,” he added.
Elim Dutra is a talented sculptor. [snip] One of his most famous sculptures is in Washington, in the garden of the Brazil-United States Cultural Centre”.

Skulpture.net

“This is not a traditional hobby among diplomats.  Stone cutting is not one of those things that come to your mind after a day of negotiations or a trade agreement preparatory meeting. However Elim Dutra is not a traditional diplomat…” I discovered my passion for sculpture while I was preparing for my diplomatic career. I decided to have both as independent professions. Dutra does not consider sculpture as a hobby. It is an integral part (consummating) profession to which he devotes his time and effort whenever possible.
He exhibits his works in Brazil and abroad, and has his own gallery in Brazil.” I may not be always able to devote enough time for sculpture but I work on weekends and holidays. No one has all the needed time, but I allocate whatever time possible for artistic work”.
Sometimes the Brazilian diplomat is able to allocate time for his work to concentrate on his second profession. Last year for instance, the Brazilian Ministry of External Relations allowed him a holiday to participate in the Aswan International Symposium of Sculpture with a huge work. However, amidst his work, he was suddenly recalled for an urgent mission to whom he could only acquiesce.” I went and returned as soon as possible to complete my sculpture. I had to work every day from 8 am to 8 pm to finish my work. The sculpture, weighing 19 tons, now stands on a hilltop overlooking the Nile in an open-air museum in Aswan.”
Does he think art integrates or contradicts with diplomacy? Dutra replies with an artist’s frankness “Diplomacy, as the saying goes, is an art. It is work based on negotiations and dealing with others. Art is strictly personal. The artistic piece that you create is at your finger tips; it does not need negotiations with others to create it in a certain shape. Moreover, art breeds modesty. Art is our only legacy. Look at Naguib Mahfouz, for instance, he has passed away but his books remain with us. Art is something strong and continuous”.
The works that Dutra makes have a strong dramatic effect in spite of a clearly abstract tendency. Some of them resemble the totems derived from Brazilian heritage, others have human traits, but all enjoy distinct symmetry similar to the symmetry in natural formations as well as that of the human body. The assistants, working with him in Aswan on the huge stone piece, were unable to visualize it except as a human form. They named it ZAIIM (THE LEADER) in spite of its being devoid of human features; it appears strong, commanding, and stable in its opinions and knowing what it wants”.

Nabil Shawkat.

LINKS:

http://www.absolutearts.com/artsnews/2007/10/25/34729.html

http://www.zamalekartgallery.com/en_ex_article.php?artistID=42&exhibitionID=1021&availiable=

http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=44219&cat=Artigos&vinda=S

http://www.sculpture.net/community/showthread.php?t=2650


http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=artistas_criticas&cd_verbete=1624&cd_item=15&cd_idioma=28555

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